21 agosto 2006

Inclusão Digital?????

Outro dia eu estava procurando o significado de uma palavra sem ter em mãos um dicionário. Claro, pensei, vou buscar na internet. Um repositório do conhecimento humano e de democratização da informação, tão usado nos discursos de diversas pessoas, deve conter um dicionário de boa qualidade. Qual não foi minha surpresa quando encontrei apenas dois dicionários da língua portuguesa on-line. Um era num saite em português de portugal e o outro tinha que ser associado de um provedor de internet (UOL).

Interessante. Querem promover a tal da inclusão digital e disseminação da informação, mas não oferecem pelo menos um lugar para sanarmos nossas dúvidas de nossa própria língua.

Claro (vão dizer os mais apressados), pois os programas atuais já vem com dicionários embutidos. Eu até concordo, mas são dicionários caligráficos e não etimológicos.

Fui pesquisar até no Ministério da Educação (que na minha inocência achei que deveria encontrar) um dicionário da língua portuguêsa, e, para minha surpresa, não encontrei nada.

E ainda querem que o povo tenha acesso à informação e cultura. Como?

17 janeiro 2006

Há Bem que vem para Males ......

Este artigo foi retirado integralmente do saite do Paraná On-Line (necessita cadastro),e mantenho todas as referências de autoria e publicação, apenas usando para informações que acredito serem muito importantes em relação ao (ab)uso de analgésicos (que não deixam de ser químicos) na vida cotidiana. O autor do artigo é José Domingos Fontana (jfontana@ufpr.br), professor emérito da UFPR junto ao Depto. de Farmácia, pesquisador 1.ª do CNPq e 11º. Prêmio paranaense em C&T.
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Analgésicos: questionamento à consagração

Redação/O Estado do Paraná

José Domingos Fontana

A busca da analgesia (alívio à dor, por vezes associada à febre ou uma inflamação) é prática rotineira do homem moderno. Caso a caso, e sob a necessária supervisão médico-farmacêutica, a prescrição usualmente recai em drogas consagradas pelo uso (caso do paracetamol ou acetoaminofen), nas ditas NSAIDs (drogas antiinflamatórias não esteroidais, como a aspirina, diclofenaco, ibuprofen e meloxicam) e, em casos mais graves, nos opióides (como codeína, heroína, metadona, morfina e tramadol). Os dois primeiros grupos apresentam a vantagem de não envolverem adicção, dependência ou tolerância.

Um alerta a respeito do uso (e possivelmente abuso) do paracetamol veio à luz em agosto de 2004 (Gary Churan; Archives of Internal Medicine) como consequência da investigação feita por cientistas de um hospital de Boston, Masachussets, envolvendo 1.700 mulheres num período de 11 anos. Trinta por cento deste contingente monitorado apresentou queda das funções renais. Este risco aumentou para 64% quando o número de comprimidos consumidos oscilou entre 1.500 e 9.000 e duplicou quando acima da última cifra.

Outra revista, New Scientist, noticia agora um questionamento ainda maior quanto ao uso de paracetamol por parte da sociedade norte-americana. A amostragem foi de 662 pacientes tratados de insuficiência hepática entre 1998 e 2003, com a alarmante incidência de 25% de óbitos. Outra conclusão dos cientistas é que a dose repetida de 20 comprimidos de paracetamol (ou marcas comerciais que o contenham) de 500 mg ao dia levam ao dano hepático e morte.

O paracetamol foi descoberto acidentalmente na Universidade de Strassburg nos anos 1880s, quando os auxiliares do Prof. Kussmaul ministraram acetanilida ao invés de naftaleno para curar uma verminose. Tal paciente experimentou uma notável redução no estado febril. A acetanilida (bastante tóxica) havia, in vivo, se convertido em paracetamol. Mas foi apenas em 1948 que Julius Axelrod e Bernard Brodie, estudando catabólitos na urina, provaram que o paracetamol era um derivado metabólico tanto da acetanilida quanto da fenacetina. O produto foi inicialmente comercializado nos USA a partir de 1955, com o nome Tylenol (associado à codeína), e, no ano seguinte, na Inglaterra, donde é até hoje o mais vendido analgésico e antipirético. Modernamente, o paracetamol é obtido a partir do fenol que nitrado gera o pnitro-fenol, que é reduzido a p-amino-fenol, que finalmente é acetilado para gerar a droga final.

Diferentemente da aspirina, o paracetamol é bem tolerado por pessoas padecendo de úlceras pépticas e também em casos de asma. A dosagem recomendada é de 2 cápsulas ou tabletes de 500 mg a cada 4 a 6 horas, mas nunca excedendo 8 cápsulas em 24 horas. No caso de crianças, a dose deve ser rebaixada para 10 a 15 mg/kg de peso corpóreo. O "pico" máximo sérico é atingido entre 30 e 120 minutos, mesmo tempo em que inicia a desativação sob a forma de glucuronato e sulfato pelo aparato hepático, seguida de excreção renal. Overdoses de paracetamol levam à injúria hepática temporária ou permanente e, em último caso, óbito. Estima-se que na Inglaterra e País de Gales cerca de 30 milhões de pessoas utilizam regularmente o paracetamol e o número de mortes associadas em 2004 foi de 98, devido a "dano irreversível do fígado". Na via catabólica, o paracetamol gera um derivado, a N-acetil-imino-quinona, para cujo combate o organismo mobiliza a forma reduzida de um tripeptídio, o glutation (o mesmo que mantém o íon ferroso da hemoglobina das hemácias em seu estado redox "metabolicamente certo"). No caso de real envenenamento por doses muito elevadas de paracetamol (e.g., consumo por crianças desavisadas ou pessoas idosas "rebeldes"), o glutation disponível no corpo não é suficiente e o paciente deve ser socorrido por um suprimento de outra droga redutora que "seqüestra" e inativa o paracetamol, a N-acetil-cisteína, que então atua como ágil antídoto.

Embora o paracetamol exiba reduzida ou nula atividade antiinflamatória, ele é especialmente recomendado nas dores decorrentes de osteoartrites, em vista de não apresentar efeitos colaterais para o aparelho gastro-intestinal (Day, R.O. et al., The Position of Paracetamol in the World of Analgesics, Am. J. Therap. 7, 51-54). No caso de medicamentação de infantes, um estudo norte-americano envolvendo 218 crianças suspeitas de intoxicação por ingestão de xarope de paracetamol concluiu pela ausência de qualquer dano permanente ou óbito {B.J.Anderson (1999) J. Paed. 135 (3), 290-295}.

No que tange ao mecanismo de ação de drogas, o corpo reage a injurias através de respostas inflamatórias via produção de prostaglandinas elaboradas pelas enzimas COX-1 e COX-2 (ciclooxigenases). Estas são inibidas por NSAIDs, como a aspirina e ibuprofen, com os sabidos e não desejados efeitos negativos no estômago. Não é o caso específico do paracetamol, cuja ação somente foi elucidada quando se descreveu uma terceira ciclooxigenase, a COX-3, encontrada no cérebro e cordão espinal, a qual é seletivamente inibida por paracetamol {Chandrasekharan, NV et. al., (2002) , Proc. Natl. Acad. Sci. USA, 99, 13926-13931}.

Está consagrado o conceito de que uma aspirina ao dia reduz o risco de acidentes circulatórios como o infarto, AVC (Acidente Vascular Cerebral) e trombose de veias profundas. O que se reportou na literatura é que o uso de um segundo analgésico NSAID, qual seja o ibuprofen, anula este efeito benéfico (anticoagulante) da aspirina e retorna o consumidor à situação de risco anterior (New England Journal of Medicine; Dec 20, 2001; 345(25); 1809-17).

10 janeiro 2006

Tecnologia, progresso, .... tem certeza?

E ainda dizem que a tecnologia veio para melhorar a vida das pessoas. O que a maioria dessas mesmas pessoas desconhecem (ou preferem desconhecer) é o altíssimo custo para se manter essa tecnologia. Este é apenas mais um exemplo.

Substâncias utilizadas em prejuízo dos seres vivos.

CHUMBO

Soldagem de placas de circuitos impressos, o vidro dos tubos de raios catódicos (moitor, tv), a solda e o vidro das lâmpadas elétricas e fluorescentes. Danos nos sistemas nervosos central e periférico dos seres humanos. Foram também observados efeitos no sistema endócrino. Além disso, o chumbo pode ter efeitos negativos no sistema circulatório e nos rins.

MERCÚRIO

Termostatos, sensores, relês e interruptores (por exemplo, em placas de circuitos impressos e em equipamento de medição e lâmpadas de descarga) equipamentos médicos, transmissão de dados, telecomunicações e telefones celulares. Só na União Européia são utilizadas 300 toneladas de mercúrio em sensores de presença. Estima-se que 22% do mercúrio consumido anualmente seja utilizado em equipamentos elétricos e eletrônicos. O mercúrio inorgânico disperso na água é transformado em metilmercúrio nos sedimentos depositados no fundo. O metilmercúrio acumula-se facilmente nos organismos vivos e concentra-se através da cadeia alimentar pela via dos peixes. O metilmercúrio provoca efeitos crônicos e causa danos no cérebro.

CÁDMIO

Em placas de circuitos impressos, o cádmio está presente em determinados componentes, como resistências de chips SMD, semicondutores e detectores de infravermelhos. Os tubos de raios catódicos mais antigos contêm cádmio. Além disso, o cádmio tem sido utilizado como estabilizador em PVC. Os compostos de cádmio são classificados como tóxicos e com risco de efeitos irreversíveis à saúde humana. O cádmio e os compostos de cádmio acumulam-se no corpo humano, especialmente nos rins, podendo vir a deteriorá-los, com o tempo. O cádmio é absorvido por meio da respiração, mas também pode ser ingerido nos alimentos. Em caso de exposição prolongada, o cloreto de cádmio pode causar câncer e apresenta um risco de efeitos cumulativos no ambiente devido à sua toxicidade aguda e crônica.

PBB e PBDE retardadores de chama bromados - PBB e os éteres difenílicos polibromados - PBDE)

Regularmente incorporados em produtos eletrônicos, como forma de assegurar uma proteção contra a inflamabilidade, o que constitui a principal utilização destas substâncias. A sua utilização faz-se sobretudo em quatro aplicações: placas de circuitos impressos, componentes como conectores, coberturas de plástico e cabos. Os 5-BDE, 8-BDE e 10-BDE são principalmente usados nas placas de circuitos impressos, nas coberturas de plástico dos televisores, componentes (como os conectores) e nos eletrodomésticos de cozinha. Sua liberação para o ambiente se dá no processo de reciclagem dos plásticos componentes dos equipamentos. São desreguladores endócrinos, além de causarem dano irreparável no sistema nervoso e reprodutivo . Uma vez libertados no ambiente, os PBB podem atingir a cadeia alimentar, onde se concentram. Foram detectados PBB em peixes de várias regiões. A ingestão de peixe é um meio de transferência de PBB para os mamíferos e as aves. Não foi registrada qualquer assimilação nem degradação dos PBB pelas plantas.

Verificam-se efeitos ambientais negativos durante a deposição destes resíduos em aterro. Verifica-se potencialmente a lixiviação dos poluentes supramencionados eliminados com os resíduos urbanos em condições de entrada de água da chuva, bem como de vários processos químicos e físicos. Seria possível minimizar os impactos significativos se os REEE fossem depositados em aterros controlados que respeitassem normas técnicas ambientalmente corretas.

A coleta e o tratamento de lixiviados de aterros controlados que respeitam normas técnicas corretas do ponto de vista ambiental, não eliminam completamente a exposição a esta substância nem resolvem todos os problemas. Os aterros mais aperfeiçoados dispõem de sistemas de coleta de lixiviados e de selagem de fundo. Nestes casos, os lixiviados são recolhidos e enviados para instalações de tratamento no local ou para instalações de tratamento de esgotos urbanos. No pior dos casos, os metais pesados poderão perturbar o processo de depuração, mas, de qualquer modo, esses metais acabarão principalmente nas lamas de depuração e em quantidades pequenas, mas incontroláveis, nas águas de superfície.

Os impactos ambientais são consideravelmente maiores quando os REEE são depositados em aterros não controlados, pois os lixiviados contaminados penetram diretamente no solo e nas águas subterrâneas e superficiais. Os lixiviados contendo os poluentes supramencionados provenientes de aterros não controlados poderão futuramente, contaminar as águas a um nível tal que a sua utilização como água potável seja impossível.

Fonte:"Lixo tecnológico: resíduos elétricos e eletrônicos"

26 novembro 2005

Alimentação Saudável Envenenada?

De acordo com recente (10/10/2005) notícia do Portal da Saúde do Governo Federal, "Até 260 mil mortes anuais poderiam ser evitadas com uma dieta equilibrada, é o que revela o "Guia Alimentar para a População Brasileira" que será lançado na semana Mundial de Alimentação (16 a 22 de outubro), pelo Ministério da Saúde. A publicação contém as primeiras diretrizes alimentares oficiais do Brasil. As deficiências nutricionais e as doenças infecciosas são problemas tratados como prioridades de saúde pública no país. As mortes são referentes a doenças crônicas, como diabetes e hipertensão."

Ao mesmo tempo, um jornal de circulação estadual no Paraná/BR (O Estado do Paraná) publicou uma reportagem em 11/10/2005 com o título "Agrotóxicos põem consumidor em risco" (link com acesso livre) que dizia:

"Mais da metade dos alimentos in natura disponíveis nos supermercados contém resíduos de agrotóxicos. Esse foi o resultado da análise feita pelo
Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na última quinta-feira, durante o Seminário Nacional de Agrotóxicos, Saúde e Ambiente, em Recife (PE). Os produtos analisados foram alface, banana, batata, cenoura, laranja, maçã, mamão, morango e tomate.

Entre 2001 e 2004, o programa da Anvisa analisou 4.001 amostras de alimentos, coletadas em supermercados de 15 estados brasileiros, e encontrou resíduos de agrotóxicos em 2.032 amostras. Ao todo, foram identificadas 3.271 substâncias diferentes. De todos os resíduos encontrados, 71,5% estavam regulares, de acordo com a legislação vigente. Dos 931 resíduos irregulares, 83,4% eram de agrotóxicos não autorizados para a cultura analisada. O restante das irregularidades, 16,6%, era de resíduos encontrados em níveis acima do permitido pela legislação.
.....

Para o sanitarista, a principal missão do programa é expor os riscos ao consumidor. Ele lembra que as conseqüências de se consumir produtos com excesso de agrotóxicos não são imediatas. Por isso, gestantes e crianças formam o grupo de pessoas q
ue precisa de maior cuidado com esses produtos. "

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Não consegui entender como resolver esse pequeno problema.

Com
o "Guia Alimentar para a População Brasileira" promovemos uma alimentação mais saudável(?), aumentaremos o consumo de ortifrutigrangeiros, aumentando a ingestão de agrotóxicos, acelerando o processo de intoxicação, aumentando o número mortes por excesso de alimentação?

Por outro lado, se houver uma fiscalização maior sobre os produtores, os alimentos ficariam com menos agrotóxicos, mas a produtividade (leia-se lucro) desses produtores diminuiria, o que obviamente elevaria os preços desses produtos, aumentando ainda mais a distância das pessoas a produtos mais sudáveis, consequentemente aumentado o número de mortes por falta de alimentação.

Continuo achando que o problema ainda é a ganância. Não há nenhuma necessidade de se aumentar a produção de alimentos se esses alimentos não chegam na mesa de quem mais necessita (é so ver a quantidade de alimentos estragados que os CEASAs jogam fora todos os dias). A produção já é suficiente, bastaria melhorar a qualidade e distribuição.

22 novembro 2005

BHT - BHA - TBHQ - Adorei essas siglas.....

Muitos estudos são feitos em relação a esses químicos. Impossível negar o envolvimento deles com doenças conhecidas de todos nós (alergias, tumores, etc...), porém nada é feito para diminuir ou mesmo acabar com o uso em seres humanos ou animais. Existem alternativas viáveis e comprovadas como o uso de Vitamina E na preservação de alimentos, porém, com um custo talvez mais elevado, o que alteraria os altos lucros das indústrias.

Muitos desses aditivos que hoje são usados na indústria alimentícia, foram originariamente desenvolvidos para outras finalidades. Muitos tem até propriedades antitumorais, mas, assim como os antibióticos, devem ser usados apenas na existência de uma doença, e não como aditivo alimentar. Já é bem conhecido o fato do uso irregular dos antibióticos causarem bactérias resistentes aos antibióticos normais, criando a necessidade de medicamentos cada vez mais potentes e tóxicos. É isso que esses químicos podem estar causando também. Com o uso constante, abusivo e prolongado, além de perder as poucas características benéficas, aumentam muito as não desejáveis.

Como exemplo, o papel que os aditivos alimentares desempenham na hiperatividade e no distúrbio de déficit de atenção (ADD : attention deficit disorder) é motivo de uma controvérsia considerável nos últimos anos. A hipótese de Feingold (em inglês) propõe que os aditivos alimentares como o BHT, BHA, corantes artificiais e aromatizantes, emulsificantes, nitratos e sulfitos, induzem a hiperatividade em crianças. Tanto que algumas escolas na Inglaterra já tentam abolir alimentos que contenham aditivos químicos para as crianças.
Feingold listou 3.000 aditivos alimentares diferentes que deveriam ser investigados. Enquanto a conclusão final do comitê consultor nacional de hiperkinesis e aditivos alimentares era a de que não há uma ligação significante entre ambos, estudos em andamento sugerem que há um correlação definitiva e significante. Em estudos clínicos controlados, até 50% de crianças hiperativas melhoraram quando suas dietas foram alteradas, controlando a ingestão de aditivos, açúcar e eliminando possíveis alérgenos alimentares.

Outros usos desses químicos são mais contundentes. Para os que nunca estudaram um pouco da arte da fotografia, entre o ato de se registrar uma fotografia até mostrar para os amigos, tanto o filme fotográfico como o papel fotográfico passam por uma série de químicos reveladores e fixadores. Muitos conhecem a relação entre uma fabricante de filmes fotográficos e uma fabricante de químicos para fotografia - Eastman-Kodak. - sim, a mesma Eastman que fabrica os aditivos químicos para alimentos também fabrica os químicos para revelação de filmes fotográficos. Esse fato por si só não é problema algum, mas, quando o químico é o mesmo, aí sim, existe um problema.

É so olharem para o famoso - TBHQ - Tero-Butil-Hidro-Quinona (um aditivo para alimentos) e o revelador de fotografia "Eastman Hidroquinona Grau Fotográfico" para chegar a uma conclusão muito simples.

Os antioxidantes nossos de todo dia.

  • BHT - Butil-Hidroxi-Tolueno - INS 321
  • BHA - Butil-Hidroxi-Anisol - INS 322
  • Galato de Propila - INS 310
  • TBHQ - Tero-Butil-Hidro-Quinona - INS 319

Nomes pomposos, não?

Estes são os antioxidantes mais usados na indústria alimentícia. Estão na maioria dos alimentos que contenham gordura, seja animal ou vegetal. São fabricados pela EASTMAN com a marca registrada Tenox: Tenox TBHQ (terc-butil hidroquinona), Tenox PG (galato de propila), Tenox BHA (butil hidroxianisol) e Tenox BHT (butil hidroxitolueno).

Segundo a própria EASTMAN, esses químicos são adicionados aos alimentos para “aumentar a qualidade e o prazo de validade dos alimentos; também ajudam a garantir que gorduras, óleos, snacks, produtos defumados, refrescos, bebidas e outros produtos alimentícios conservem o visual atrativo, sabor fresco e fragrância prazerosa.....”

É claro que, tanto os fabricantes desses químicos como a indústria alimentícia sempre irão afirmar que seus produtos não fazem mal à saúde humana (ou dos outros animais), e que estão rigorosamente dentro dos padrões do Ministério da Saúde e FDA americano. Porém, a própria EASTMAN afirma que a aprovação na União Européia está pendente para alguns destes produtos.

Muitos desses químicos prejudicam a saúde de todos os consumidores, mas não temos o esclarecimento necessário, sendo colocado nomes e códigos esquisitos nas embalagens dos alimentos, esfregando na cara do “freguês” a sua ignorância.

Na minha opinião, esses químicos são responsáveis por grande parte dos problemas de saúde que afligem a sociedade urbano-industrial, porém, como a máquina do poder ainda é alimentada pela indústria, dificilmente bem-estar e saúde dos consumidores serão levados à mesa do jogo. As propagandas continuarão enganando com suas multicores e desenhos bonitos, disfarçando o veneno que tem dentro de cada pacotinho que oferecemos aos nossos filhos.

Vou tentar, sem muita tecnicalidade, esclarecer algumas coisas a respeito desses venenos. Todas as informações aqui contidas foram achadas em locais públicos e poderão ser reutilizadas, desde que identificadas as fontes.

Mais um pouco sobre a MARGARINA.


Um estudo recente (setembro 2005) realizado por investigadores da Universidade de Tufts (Boston, Estados Unidos) veio confirmar que a margarina sólida afeta negativamente os níveis de colesterol e aumenta os riscos de doenças cardiovasculares
.

Se o consumidor quer manter níveis de colesterol saudáveis e garantir um elevado padrão de saúde só tem uma solução: afastar a margarina da sua dieta alimentar. Esta é a conclusão de um estudo realizado pela equipe da investigadora Alice H. Lichtenstein, publicado no prestigiado "New England Journal of Medicine", em que são comparados os efeitos de diversas classes de ácidos gordos "trans" (os que estão relacionados com um maior risco de doença cardiovascular) nos níveis de colesterol e de lipoproteínas. Aquele tipo de gorduras, que estão presentes de forma natural e em níveis baixos na carne, intervêm no processo de conversão das gorduras líquidas em semi-sólidas ou sólidas (hidrogenização), como acontece com a margarina.

Os resultados deste estudo deitam por terra conclusões de trabalhos anteriores que convidavam os apreciadores de manteiga a passarem-se com armas e bagagens para as margarinas devido a estas conterem menores teores de gorduras saturadas. O que a equipa de Alice Lichtenstein constatou é que as margarinas não só aumentam os níveis de colesterol "mau" (o que já era conhecido), mas também que diminuem o teor de colesterol "bom".


O que distingue a margarina da manteiga é o fato de ser elaborada com gorduras vegetais. Mas os seus efeitos nocivos sobre o metabolismo dos lípidos consiste, precisamente, no fato de tomar a forma sólida, possuindo um alto conteúdo de ácidos gordos "trans".

O Portal dos Consumidores - Portugal

21 novembro 2005

Uma Ressaca Industrial

Trezentos anos de industrialização estão nos levando para uma total incapacidade de reagir frente aos constantes abusos de arrogância e ganância das indústrias.

  • Produzimos mais do que podemos consumir;
  • Compramos mais do que podemos usar;
  • Desperdiçamos mais do que a natureza consegue repor.

Por trás das desculpas de sempre (conforto e praticidade), entramos num círculo vicioso de produção/consumo como nunca houve antes na história humana conhecida. Os objetos de necessidade transformaram-se em objetos de desejo, transformando sua utilidade em futilidade.

A maioria das pessoas não percebe que estão sendo enganadas, pelo simples fato de sua preguiça e comodidade passarem bem longe do seu bom senso.

Sob o pretexto de conforto, comodidade e praticidade, a população dos grandes centros urbanos vem aumentando o consumo de alimentos industrializados, talvez, substituindo totalmente a alimentação por comidas pré-manipuladas ou industrializadas - leia-se - com muitos químicos preservantes (acidulantes, estabilizantes, edulcorantes, antioxidantes, etc..).

Aparentemente não há uma real busca de uma alimentação mais saudável, mesmo que os discursos em programas de televisão e revistas e mesmo ações governamentais versem exatamente sobre este assunto. Discursos estes que são, em sua grande parte, oriundos de informações fragmentadas e direcionadas para o consumo de um certo tipo de alimento, vitamina ou remédio milagroso.

Para aqueles que, apontam sobre o aumento da expectativa de vida no nosso século, esquecem que esta foi ampliada não pelo aumento de alimentos industrializados, mas basicamente pelo aumento de higiene (a pessoal, e mais importante, a pública).

Há a possibilidade real de estarmos criando um problema muito maior no futuro se não repensarmos a forma de usarmos quantidades tão grandes de químicos em nossa alimentação.

18 novembro 2005

Margarina NÃO é alimento!

A hidrogenação passou a ser muito usada nos Estados Unidos porque este tipo de óleo não se estraga nem fica rançoso tão depressa quanto o óleo comum, e assim tem uma vida de prateleira maior. Você pode deixar um cubo de margarina exposto durante anos e ele não será atacado por fungos, insetos ou roedores. A margarina é um não-alimento! Parece que só os seres humanos são idiotas o bastante para comê-la! Como a gordura da margarina é parcialmente hidrogenada (ou seja, não totalmente saturada), os fabricantes podem dizer que é "poli-insaturada" e vendê-la como alimento saudável.

Para fabricar margarina, adicionam-se átomos de hidrogênio às moléculas de gordura para que fiquem mais saturadas, elevando o ponto de fusão para que o óleo permaneça sólido à temperatura ambiente, ou seja, para que a margarina não escorra pela mesa. Este processo, chamado "hidrogenação", exige a presença de um catalisador metálico e temperaturas em torno de 260 °C para que a reação aconteça.

Outro "efeito colateral" da hidrogenação é deixar um resíduo de metais tóxicos, geralmente níquel e alumínio, no produto final. Estes metais são usados como catalisadores da reação, mas se acumulam em nossas células e sistema nervoso, onde envenenam o sistema enzimático e alteram as funções celulares, colocando a saúde em perigo e provocando grande variedade de problemas. Estes metais tóxicos são difíceis de eliminar sem técnicas especiais de desintoxicação, e nossa "carga tóxica" aumenta muito com pequenas exposições ao longo do tempo. Como estes elementos são cada vez mais presentes no ar, nos alimentos e na água, as doses cumulativas podem ir se somando até chegar com o tempo a níveis perigosos.

A indústria alimentícia financia muitas pesquisas. Os pesquisadores sabem que é fácil prever o resultado de um estudo: basta conhecer quem está financiando. Desta forma, é tolice aceitar cegamente as notícias da imprensa sobre "as últimas pesquisas" sem considerar quem pagou por elas. Há algumas fundações por aí, de aparência bastante científica, que na verdade são organizações de fachada da indústria alimentícia.

Extraído de Nexus Magazine, Volume 4, n° 2. (Fevereiro-Março 1997).

05 outubro 2005

A terra ainda é Plana!

É o que parece. As pessoas estão tão cheias de certezas, que esqueceram a inevitabilidade das mudanças da vida. O abuso da racionalidade científico-industrial eliminou todas as outras possibilidades de realidades. Estamos caminhando para uma hegemonização da certeza, reduzindo, ou quase fazendo desaparecer, a capacidade de duvidar ou discordar sem uma prova cientificamente aceitável pela maioria, como se realmente tivéssemos um conhecimento total a respeito de tudo.

Obviamente esse tipo de estruturação do conhecimento é quase igual, senão idêntica, à de 500 anos atrás, quando qualquer pensamento que desafiasse a igreja era punido até com a morte. Retornamos muito rápido às certezas absolutistas de apenas uma forma de pensamento. Apesar de olharmos para nossa querida terra como uma bolinha azul no universo, ainda pensamos medievalmente (se é que esta palavra existe) como se ela ainda fosse plana.

O Futuro de Ontem.

Onde está o futuro tanto prometido das últimas quatro ou cinco décadas? Onde está a grande produção de alimentos que alimentaria o mundo? Onde estão os medicamentos miraculosos que deixariam a humanidade livre de doenças terríveis? Onde está a vida digna e justa preconizada em quantos e tantos planos fantásticos de melhoria do bem estar de todos? Onde estão as idéias que mudariam o mundo para melhor? Não estou vendo.

Vejo apenas uma produção de alimentos que ultrapassa em 50% a necessidade para a alimentação de todos os seres humanos deste planeta, porém, distribuídos a poucos que podem pagar, deixando a maioria esmagadora com fome e pobres, pelo simples fato de não terem diheiro para pagar. Vejo apenas quantias imensas de dinheiro sendo gastas em medicamentos que nunca chegarão às mãos dos que mais precisam, pois esses não tem dinheiro para pagar, enquanto sucumbem com doenças facilmente tratáveis com medicamentos baratos. Vejo apenas indústrias produzindo bugigangas e quinquilharias para pessoas criadas apenas para consumir.

E tudo isto para que? O que saiu errado? O que fugiu do controle? O que aconteceu com as boas idéias que trariam paz e prosperidade ao mundo?

Não sei as respostas, mas tenho certeza que tudo passa pela tríade:
- Lucro - Ganância - Ignorância,
ou,
- Indústria - Bancos - Povo.

O planeta é de todos. Todos somos responsáveis. Todos devemos ser felizes.

Atomização do DNA, o mesmo caminho.

Essa descoberta dos caminhos internos de nossas entranhas microscópicas, o DNA, está gerando uma expectativa tão grande de descobrir o segredo universal como foi a corrida para descobrir o "blocos de formação da vida" dos meados do século XX. Os cientistas tinham a certeza que subdividindo um átomo em sua menor partícula, todos os segredos da vida seriam revelados. Obviamente a história mostrou que essa busca frenética, além de aumentar nossos questionamentos sobre vida e não apresentarem tantas respostas definitivas, somente geraram grandes armas de destruição e/ou substâncias que não sabemos até hoje como desfazer.

Vejo um paralelo se formando em relação ao DNA. Muito se fala sobre as maravilhas que o mundo futuro nos trará com essas descobertas, mas, revisando um pouco a história humana, a possibilidade desse conhecimento se transformar em arma de controle e destruição esbarra na certeza. O tempo dirá.